Nara e Luís Henrique

Nara e Luís Henrique

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

O heliotropo despertou, na passagem, a compaixão que ela sentia por seu pai e suas irmãs, mas a esmeralda lhe cochichou ao ouvido todos os tipos de motivos de ter esperança de cura-los, o que o zircônio imediatamente confirmou. E como a safira não estava longe, reforçou nela esta certeza. Quando havia quase alcançado o lugar onde aterrizara na gruta, no último momento, a pérola insistiu para que levasse a honestidade e a turmalina ofereceu ainda o dom de reconciliar as pessoas entre si. A jovem princesa não teve dificuldade em aceitar todas essas qualidades, pois lhe parecia que precisaria muito delas para cumprir todas as tarefas que a esperavam na vida, só a pequena opala de fogo teve de insistir um pouco. Rosália, que era uma jovem quase perfeita, tinha um pequeno defeito: era séria demais. Embora não compreendesse imediatamente para que lhe poderia servir o humor, como não queria ofender a pequena opala de fogo, acabou assim mesmo levado o humor. Depois, chegando a seu ponto de partida, plenamente satisfeita, a princesinha sentou-se em uma espécie de nicho que a rocha formava neste lugar, recoberto de jade e de dioptásio. Foi o jogo harmonioso entre essas duas nuanças de verde que a tinha atraído mais particularmente. E quando não esperava na verdade mais presentes, já que recebera tantos, o dioptásio lhe encheu os bolsos com mais riquezas. O jade começou a envolve-la numa nuvem verde claro: ele havia decidido leva-la para a primavera. Rosália teve de fato a impressão de ser levantada nos ares , bem rápido, pode distinguir ao seu redor, levemente velados pela nuvem de jade que ainda a envolvia, os contornos da ponta do cristal pela qual ela fora aspirada algum tempo antes. Na verdade, quanto tempo?


Rosália foi propulsada para fora do cristal, exactamente pela ponta, e colocada delicadamente no chão diante da moita de rosas. Foi apenas naquele momento que a princesa teve consciência do tempo que deveria ter decorrido desde sua partida. Enquanto recuperava pouco a pouco os sentidos, Rosália viu, com imensa alegria, que novos rebentos haviam começado a crescer sobre o tronco e as hastes mutiladas da roseira, e foi com o coração leve que se dirigiu ao palácio. Na curva do caminho, viu um de seus amigos jardineiros que estava justamente compondo um buquê habitual. Enquanto se aproximava dele para cumprimenta-lo e agradecer-lhe, este a viu de repente, levantou-se com um pulo, visivelmente surpreso, e prosternou-se respeitosamente diante dela. A princesa ficou muito surpreendida por este estranho comportamento. Mas algo lhe fez baixar os olhos e qual não foi estupefacção quando viu que suas vestimentas estavam cobertas de pedras preciosas reluzentes: safiras, esmeraldas, rubis e diamantes, seus cabelos estavam trançados com opalas, jade, ágatas e todo tipo de cristais multicores. E o diamante que ela usava no dedo mínimo da mão direita lançava mil reflexos, iluminando tudo quanto se encontrava em torno dela, como o teriam feito dez sóis. A princesa compreendeu o que ocorrera, convidou o jovem jardineiro a erguer-se e prosseguiu seu caminho em direcção ao palácio. Sobre os degraus da grande escada de honra, encontrou primeiro seu pai. Por seu aspecto ansioso, ela compreendeu que deveria ter estado ausente por tempo suficiente para se preocuparem com o que lhe ocorrera. Ele também não reconheceu sua filha imediatamente. Sua pequena Rosália, que sempre fizera questão de vestir-se modestamente, estava agora adornada com um vestido faustuoso, bordado com pedras preciosas, e dela emanava tanta luz, alegria e amor que todas as coisas e todas as pessoas que se encontravam ao seu redor eram instantaneamente transformadas e também se punham a irradiar amor, alegria e luz. Quando as duas irmãs viram o que acontecera à mais nova, seus rostos ficaram no início deformados pelo ódio e o ciúme, mas bem rapidamente também foram arrastadas na vibração de felicidade que agora invadira todo palácio. De todos os lados partiam os risos e cada qual celebrava assim o retorno da princesa. Como sob efeito de um toque de varinha mágica, as pessoas tinham esquecido todas as suas preocupações, todos os seus rancores, todas as suas dores e todas as suas doenças, e apenas brincadeiras e conversas amáveis eram trocadas por toda a parte. O rumor expandiu-se com rapidez em todo o país. Diziam que a princesa voltara transformada após uma viagem em um misterioso país longínquo. Cochichavam que ela teria sido iluminada, sem compreender muito bem o que isso queria dizer. Mas muito curiosos começaram a ir ao palácio e a princesa recebia de bom grado todos aqueles viajantes vindos dos quatro cantos do país e até dos países vizinhos. Todos, velhos ou jovens, homens ou mulheres, pobres ou ricos voltavam curados, com o coração leve e um sorriso nos lábios. O rei, seu pai, recebia todos os dias jovens e ricos pretendentes, vindos de longe para pedir a mão de sua filha. Mas, de momento, nenhum deles conseguira ainda conquistar seu coração... Esta foi a viagem iniciática de Rosália na gruta dos cristais. Ao acompanhá-la, seu inconsciente participou, literalmente, desta iniciação e o que seu inconsciente viveu, ele o considera verdadeiro; você também trouxe desta aventura, presentes de claridade, de coragem, de sabedoria, etc... e alguma coisa no fundo de você se transformou.

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