Nara e Luís Henrique

Nara e Luís Henrique

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

As duas mais velhas, Berta e Josefina, enciumadas com o bom humor constante da irmã mais nova, não perdiam a oportunidade de zombar dela e repetiam-lhe, continuamente, que era perigoso relacionar-se com operários, especialmente esses porque estavam cobertos de terra e não ficava bem uma princesa aceitar presentes de homens tão grosseiros. Em seguida partiam, arrastando atrás delas observações maldosas a respeito da irmã mais moça. Rosália preferia calar-se, mas seu coração tornava-se pesaroso e o desgosto se espalhava nela como uma chuva gelada ruim. Naquela manhã, quando a jovem princesa abriu os olhos, os pássaros já cantavam alegremente e os primeiros raios de sol começavam a filtrar-se através das fibras de suas cortinas de seda. Com um pulo ela ficou de pé e, como fazia todas as manhãs, puxou as cortinas e inclinou-se com graça sobre o buquê de rosas púrpura que um de seus amigos jardineiros já viera colocar sob sua janela. Aspirou longamente o perfume que flutuava em torno das flores, depois, com um sorriso nos lábios, vestiu-se rapidamente para dar sua volta no jardim antes do café da manhã. Tinha o hábito de termina-la pelo lado do jardim onde, entre margaridas, gladíolos e girassóis tinha-se desenvolvido admiravelmente uma magnífica roseira trepadeira. O rei, seu pai, mandara instalar um banquinho bem em frente ao arbusto para que a jovem pudesse admirá-la em completa quietude. De fato, ninguém havia visto em nenhum lugar do reino e, alíás, em nenhum reino vizinho, flores tão belas e generosas. Centenas de botões com nuanças sutis esperavam abrir-se para encantar a princesa, e as hastes do arbusto haviam crescido muito alto, bem além das grades que as sustentavam

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário...