Nara e Luís Henrique

Nara e Luís Henrique

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Minha Mãe

Minha mãe

Dona Francisca, minha mãe, mulher guerreira.
Nasceu na fazenda, filha de campeiros, desde pequena ajudou seus pais na lavoura.
Casou-se cedo, com dezoito anos, casada, permaneceu morando na fazenda e ajudando
Seu esposo nos afazeres da lavoura, teve cinco filhos, sendo, quatro mulheres e um homem. Com dez anos de casada, seu esposo, meu pai, veio a falecer, deixando minha mãe com nós cinco tudo pequeno. Com a ajuda de meu avô e mais um tanto de dinheiro que o patrão indenizou minha mãe, uma casa na cidade para nós morar ela comprou.
Para nos sustentar muito ela trabalhou, como lavadeira, passadeira, arrumadeira. Me lembro que mamãe falava as vezes, quando vou almoçar la na casa da patroa, tenho vontade de chorar de ver o que eu vou comer e o que vocês estão comendo...
Nunca nada nos faltou, minha mãe nunca deixou que isso acontecesse, não tínhamos do melhor, mas fome eu e meus irmãos nunca passou. Meus avos que continuavam a morar na fazenda toda semana vinha e trazia de tudo pra nós que ainda éramos pequenos pra trabalhar e ajudar a mamãe que sozinha trabalhava, me lembro que o vovô trazia lata de vinte litros de mel, que ele cultivava, agente comia aquele mel com pão feito em casa que mamãe fazia, sacos de manga, cada manga espada tão linda, jatobá, trazia de saco de jatobá, que coisa maravilhosa, como que a gente gostava daquela fruta, grudava tudo no dente, mas a gente gostava assim mesmo, era tanto pra nós que eu e meus irmãos as vezes até vendia pra faturar uns CR$, naquele tempo era cruzeiro. Vovô criava porco e já trazia tudo pronto, a carne do porco era temperada frita e cozida, o toucinho do porco a vó derretia colocava dentro de uma lata de vinte litros e la dentro da lata com aquela gordura, a carne era mergulhada, já prontinha, era so esquentar e servir as porções. Levava tudo prontinho pra mamãe, ela não tinha muito tempo, a vida dela era trabalhar pra sustentar seus filhos pequenos. Pra ajudar a mamãe cuidar de nós que éramos tudo pequeno, o vovô comprou uma casa vizinho da nossa, ficava na rua do lado, mas como o quintal da casa dele era comprido, então os quintais se encontravam, aí foi feito um portão que facilitava pra gente ficar passando pra casa da vó sem ter que passar pela rua.
Minha avó, meu avô e meus tios, continuaram a trabalhar na fazenda, só que de tarde, eles voltavam pra casa, era muito legal. Meu avô tinha uma charrete, a égua que conduziz a charrete era muito bonita, o nome dela era: Coringa.
E assim foi, o tempo foi passando, a gente foi crescendo, fomos pra escola, com o passar do tempo fomos trabalhar, crescemos casamos.
Meu avô morreu, me lembro que eu estava no segundo ano, minha professora se chamava dona Celina.
Fui a filha da mamãe que primeiro casou, logo tive meu primeiro filho, Luís Henrique, como que a mamãe amava meu filho.
Logo minha irmã mais velha casou-se também, logo teve sua filhinha, a Merynha, nossa que menininha bonitinha, como que mamãe amava seus netinhos. Morávamos em outros bairros, mas no sábado já íamos pra casa da mamãe, era uma festa, a vó morava la pertinho, só a cerca de balaustra que separava o quintal, era mesmo muito bom, meus tios, minha avó, meus irmãos, a mamãe, era mesmo uma beleza. Minha mãe fazia de tudo para seus filhos seus netos e cada domingo a noite que a gente ia embora, não via a hora que chegava o próximo sábado pra voltar pra casa da mamãe, as vezes ela ia na nossa casa durante a semana, tinha muita saudades do seu netinho...
Pois é, e o tempo foi passando, a vó morreu, meus tios, uns morreram, outros casaram e se mudaram. Minhas duas irmãs mais novas se casaram, mudaram para um bairro próximo do da mamãe, logo tiveram seus filhos. Meu irmão que foi o que ficou com a mamãe, casou-se também.
Mamãe, ficou sozinha, quando saia do serviço, já ia pra casa de um dos filhos, sempre muito apegada com seus netinhos.
Mamãe resolveu vender a casa dela e comprar outra, perto da casa das duas filhas mais novas, que moravam uma perto da outra. Mamãe continuava trabalhando como fez sua vida toda, todo dinheiro que mamãe ganhava era pra ajudar seus filhos e fazer mimos para seus netos, mamãe não se preocupava com coisas materiais pra casa dela não, ela só se preocupava em agradar seus filhos e netos.
Todos os filhos da mamãe já estavam casados e com filhos, netinhos pra mamãe. Isso deixava mamãe a mulher mais feliz domundo. Minha mãe gostava muito de viajar, mas a viagem da minha mãe, não era pra satisfazer ela não, era pelo prazer de viajar e levar com ela um neto pra passear, a razão de viver da minha mãe, era alegrar seus netos.
Minha mãe, ela faleceu muito cedo, completou sessenta anos no mês de maio, quando chegou julho, minha mãe faleceu, vitima de câncer. Quando o câncer da minha mãe foi descoberto, o médico já disse o tempo de vida dela, era só um ano e meio, e foi mais isso mesmo que minha mãe pode viver, só mais um ano e meio, mamãe sofreu muito.
No dia 13 de julho minha filha completava aniversário, no dia 5 de julho mamãe morreu dois dias antes da mamãe morrer, ela fez eu e minhas irmãs levar ela na loja pra comprar o presente da minha filha.
Mamãe viveu sua vida inteira trabalhando, seu último trabalho, ela já estava la, era um pensionato, estava la há mais de vinte anos, só deixou de trabalhar uns seis meses antes de morrer, porque já sentia muitas dores, mais no inicio do tratamento mamãe chegava de Jaú onde fazia quimioterapia e radioterapia e no outro dia ia trabalhar.
Minha mãe foi uma mulher guerreira.
Mamãe faleceu dia 05 julho de 1999, com 60 anos.

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